Hortas na Cidade

A prática da agricultura sustentada é promovida nas Hortas Urbanas de Setúbal, com a segunda fase do projeto que estimula a convivência social e a economia das famílias inaugurada a 5 de outubro de 2015, nos viveiros camarários, nas Amoreiras.

No arranque desta segunda fase da iniciativa da Câmara Municipal, foram assinados os acordos de utilização das novas 74 parcelas disponíveis de terreno, com 30 metros quadrados cada.

Além de estimular o consumo de alimentos produzidos em modo biológico, esta é uma forma de integração e convivência social entre pessoas com variadas idades, aptidões físicas e heranças culturais, promovendo as práticas ancestrais de trabalho do solo.

As Hortas Urbanas de Setúbal estão localizadas numa zona de fronteira entre o urbano atual e quintas rurais do passado, num ambiente comunitário definido nas opções de partilha das instalações de apoio, das ferramentas e da água do equipamento.

Com a inauguração da segunda fase do projeto, as Hortas Urbanas de Setúbal ficam com um total de 148 parcelas de terreno, entre os quais constam dois talhões com características adaptadas a pessoas com mobilidade reduzida, criados num terreno sobrelevado durante a primeira fase.

A Câmara Municipal investiu mais de 20 mil na criação das condições para a implementação da segunda fase, com trabalhos de preparação do terreno e instalação de infraestruturas de suporte, ao longo de três meses, por empreitada e por administração direta, ou seja, com recursos técnicos e humanos da própria Autarquia.

Os utilizadores das Hortas Urbanas de Setúbal podem produzir plantas hortícolas para autoconsumo ou recreio, instalar na sua parcela estruturas básicas de apoio e vedações no perímetro do espaço, numa altura até 25 centímetros, tipo sebe viva ou madeira, e usufruir do composto resultante do processo de compostagem.

A infraestrutura comunitária inclui áreas de utilização comum, como espaços para o armazenamento de ferramentas, uma unidade de compostagem para restos vegetais e instalações sanitárias, e zonas de circulação para os utilizadores, que devem estar sempre desimpedidas e em bom estado de conservação.

A utilização das áreas de cultivo, efetivada em contratos quadrienais, implica o pagamento mensal de 7,5 euros para compensação parcial dos encargos de funcionamento das hortas e de fornecimento de água, montante que pode ser atualizado anualmente ou na sequência de alteração anormal das circunstâncias.

O projeto

As hortas urbanas das Amoreiras foram criadas no âmbito de rentabilizar um espaço expectante da autarquia nesta zona do Concelho de transição urbana – rural.

Os hortelões foram selecionados com base em critérios sociogeográficos e excederam o número de parcelas disponíveis na primeira fase.

Na primeira fase, as hortas estavam compostas por 72 parcelas com 30m2 e duas parcelas para pessoas de mobilidade reduzida. Todas as parcelas encontram-se ocupadas e cultivadas por pessoas de uma faixa etária entre os 20 e os 75 anos, de diversas classes sociais do diferentes meios como rural e urbano. Normalmente fazem-se acompanhar de familiares e amigos que gostam desta atividade como forma de subsistência e lazer.

A água é fornecida pelos serviços municipais, através de um furo artesiano existindo pontos de água dispersos equitativamente pelas parcelas, sendo estes utilizados pelos hortelões de forma sociável.

Na opção de uma agricultura biológica e sustentável tomada pelos responsáveis do projeto, são monitorizados todos os produtos utilizados nas hortas e foram criadas zonas de compostagem para a produção de adubo orgânico para os hortelões estrumarem as suas parcelas de forma a torná-las mais férteis.

Como foi um projeto pioneiro em Setúbal, os hortelões tiveram algumas dúvidas relativamente a produtos e espécies vegetais e qual o melhor modo de exploração das parcelas que tinham sido atribuídas, existe um acompanhamento técnico, o qual responde ao solicitado. Que plantas a ter na parcela para evitar pragas e doenças nas espécies e quais as que mais interessam para o consumo humano.

Os produtos

Na campanha primavera/verão de 2014, as hortícolas mais cultivadas foram alface, courgete, feijão, pimento, tomate e couves, entre as quais a couve portuguesa. Os hortelões apostaram também em plantas aromáticas, como coentros, salsa e tomilho. Usaram técnicas de agricultura biológica para afastar pragas e doenças, fazendo consociações com plantas auxiliares, tais como tagetes ou cravos túnicos como vulgarmente são conhecidos.

Na campanha outono/inverno do mesmo ano, os horticultores plantaram nabiças, couves, alface, morangos, tomate, ervilhas e favas, e também na preparação do terreno para as culturas da época seguinte, entrando assim num ciclo sustentável de produção biológica.

Com base na experiência e conhecimento da primeira fase das hortas urbanas, chegou-se à conclusão que os meses onde se registou maior número de idas às hortas foram os de agosto e setembro, aos fins-de-semana, com maior incidência, em média, de 40 hortelões, aos sábados da parte da tarde, onde os hortelões juntamente com familiares e amigos cultivam os alimentos e partilham momentos prazer.

Outros projetos deste âmbito encontram-se em fase de estudo para outras zonas do município como na Alameda das Palmeiras.

Apresentação Hortas urbanas

Manual das hortas orgânicas

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