Moinho de Maré da Mourisca

Na área da reserva natural são conhecidos vários sítios de interesse arqueológico, nomeadamente o concheiro neolítico da Barrosinha, a feitoria fenícia de Abul e os fornos romanos do Pinheiro, todos correspondendo a diferentes fases da história.

No que respeita à arquitetura de raiz, assinalam-se por um lado a presença de alguns montes e também a existência de construções com caráter precário, constituídas por cabanas com telhado de colmo, as quais quando devidamente mantidas, possuem um inegável interesse etnográfico.

Os sistemas de moagem constituem outro exemplo de arquitetura tradicional que, no caso da RNES, compreendem moinhos de vento, atualmente inativos, e moinhos de maré, destacando-se o Moinho de maré da Mourisca, no Faralhão, totalmente restaurado.

O Moinho de Maré da Mourisca está situado no Estuário do Sado, numa zona de sapal e salinas e rodeado de terrenos antigamente usados para o cultivo de arroz.

Uma lápide no interior assinala a data de 1601, que se presume remontar ao ano da sua construção. Um outro momento marcante deste moinho é a existência de uma segunda fase de construção, na primeira metade do século XX, que resultou na elevação do pavimento em cerca de 50 cm e no crescimento em altura do edifício, notando-se as paredes em alvenaria de pedra no piso térreo e em alvenaria de tijolo na parte acrescentada.

O Moinho de Maré da Mourisca está construído junto de uma enorme represa (caldeira) que se enche até à preia-mar, sendo então fechada a comporta de comunicação entre ela e o rio. Abrem-se os pejadouros, a água represada solta-se, sendo conduzida através dos canais que ligam a caldeira ao rio.

O moinho tem seis mós montadas numa plataforma de madeira, debaixo da qual é acionado um sistema de rodas dentadas. A água com grande força faz com que o rodízio gire e acione esse sistema, que por sua vez ligado à mó faz com que esta comece a moer os grãos de cereal.

O facto de se ter de esperar que o rodízio fique em seco diminui o tempo de laboração. É que o ritmo das marés só permite que a farinação seja feita durante três ou quatro horas por maré e consoante a lua, ou seja, duas vezes por dia. E só algumas marés atingem uma amplitude diferencial suficiente para assegurar a produção de farinha de qualidade. As engrenagens de ferro que transmitem a rotação dos rodízios aos veios das mós, um sistema de engrenagens que permite que, através de um esquema de multiplicação, um rodízio acione duas mós em simultâneo.

Embora desativado, o Moinho de Maré da Mourisca é um museu vivo do ancestral sistema de moagem, além de desenvolver várias atividades, como visitas guiadas à herdade e ao moinho, passeios pedestres, programas de educação ambiental dirigidos a escolas, programação lúdica e cultural, nomeadamente palestras e exposições, apresentação de projetos ambientais e atividades com empresas marítimo-turísticas

+ Info: moinhodemaredamourisca@gmail.com | tel.: 265 541 157

Herdade da Mourisca, Faralhão

Horário 
Inverno
outubro
terça a sexta 10h00-18h00
sabado/domingo 10h00-19h30
novembro/dezembro/janeiro/ fevereiro
terça a domingo 10h00-17h00
Verão
março a setembro
terça a sexta 9h00-19h30
sabado/domingo 8h30-20h30

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