Parque Natural da Arrábida

Parque Natural da Arrábida

pna1

Assente na cadeia montanhosa da Arrábida e área marítima adjacente, o Parque Natural da Arrábida (PNArr), ocupa uma superfície de aproximadamente 17 mil ha, dos quais mais de 5 mil são de superfície marinha, abrangendo território pertencente aos concelhos de Palmela, Sesimbra e Setúbal.

Classificação | Caracterização

Porque foi classificado o Parque Natural da Arrábida. Caracterização e mapa.

Classificação

As características particulares do maciço Arrábico, levaram a que, desde os anos 40, se tivessem iniciado algumas tentativas para a sua proteção, culminando com a criação da Reserva da Arrábida em 16 de agosto de 1971 pelo Decreto nº 355, abrangendo pouco mais do que a vertente sul da referida serra e das escarpas do Risco.

Em 28 de julho de 1976, com a publicação do Decreto-Lei nº 622/76, de 28 de julho, que “reconhecendo a insuficiente proteção conferida pelas medidas preventivas decretadas para a zona… ” é criado o Parque Natural da Arrábida (PNAr).

Esta classificação visou proteger os valores geológicos, florísticos, faunísticos e paisagísticos locais, bem como testemunhos materiais de ordem cultural e histórica.

A publicação do Decreto Regulamentar nº 23/98 de 14 de outubro efetuou a reclassificação do Parque Natural da Arrábida, ampliando a sua delimitação com a criação de uma área marinha Arrábida-Espichel, completando no meio marinho os objetivos de conservação da natureza subjacentes ao Parque.

O valor da fauna e flora marinhas da costa da Arrábida foi assim abrangido por um Parque Marinho contíguo à área terrestre anteriormente classificada. Na zona do cabo Espichel a proteção visa as arribas marinhas, espécies vegetais endémicas, a nidificação de aves e a preservação de icnofósseis.

Caracterização

O Parque Natural da Arrábida deve o seu nome à principal unidade geomorfológica de toda a área, a designada cordilheira da Arrábida, constituída por três eixos:

  • o primeiro composto por pequenas elevações nos arredores de Sesimbra, pelas serras do Risco e da Arrábida e pelas colinas existentes entre o Outão e Setúbal;
  • o segundo é formado pelas Serras de S. Luís e dos Gaiteiros; e
  • o terceiro formado pelas Serras do Louro e de São Francisco.

 

A orientação da cordilheira é ENE-OSO (orientação alpina) apresentando um comprimento de cerca de 35 km e uma largura média de 6 km. A altitude máxima é de 501 m no anticlinal do Formosinho.

A norte da Cordilheira estende-se uma vasta área de planície que apresenta a sua maior largura junto ao limite oeste do Parque, estreitando-se, progressivamente, à medida que se caminha para este. O litoral é bastante rochoso, recortado por pequenas baías com praias de areia branca encimadas por escarpas.

A cadeia montanhosa da Arrábida, e a área de planície que a circunscreve, tem uma grande diversidade de solos, devido à multivariada constituição dos materiais rochosos que constituem a rocha mãe. A grande maioria dos solos é de origem sedimentar aparecendo, no entanto, algumas intrusões eruptivas. Todo o modelado hoje visível na Arrábida depende não só de aspetos ligados à tectónica e à erosão mas também daqueles que se prendem com a geologia da área constituída em grande parte por rochas calcárias e dolomíticas ou detríticas.

O litoral é bastante rochoso, recortado por pequenas baías com praias de areia branca e geralmente encimadas por escarpas que apresentam alturas consideráveis.

Como é característica das regiões cuja geologia é predominantemente constituída por calcário, a hidrografia apresenta aspetos específicos desse tipo de constituição, tais como a não perenidade e exiguidade dos cursos de água.

A vegetação da Arrábida possui um elevado valor natural, verificando-se neste território a convergência de três elementos florísticos:

  • o euro-atlântico, mais fresco, húmido e sombrio nas vertentes a norte;
  • o mediterrânico, mais quente, seco e luminoso nas vertentes expostas a sul; e
  • o macaronésio nas arribas marcadamente marítimas.

As comunidades de vegetação incluem ainda espécies com origem paleomediterrânica e/ou paleotropical.

Também nos ambientes marinhos existe uma convergência de elementos faunísticos de diferentes afinidades: temperado frio do norte da Europa, temperado quente do Mediterrânio e Norte de África, e tropical. Esta composição ictiológica mista, em conjugação com o caráter de charneira do ponto de vista biogeográfico, confere ao mar da Arrábida um papel preponderante na compreensão dos fenómenos de evolução das comunidades marinhas.

 

Mapa

Clique na imagem para ampliar [JPG 383 KB]

pna3

 

Estatutos | Ordenamento

Estatutos de conservação, legislação, ordenamento e gestão do Parque Natural da Arrábida.


Ordenamento

Geologia | Hidrologia | Clima

Geologia, hidrologia e clima do Parque Natural da Arrábida.

A Arrábida é, no seu conjunto, excecional pela diversidade de processos geológicos que nela se encontram registados para a compreensão e conhecimento de etapas fundamentais da história da Terra, nomeadamente no testemunho em sucessão contínua das quatro fases de rifting que levaram à fragmentação da Laurásia e à formação do Atlântico norte. A Arrábida é a única cadeia na fachada atlântica que testemunha a propagação para oeste do fecho progressivo do oceano de Tétis e consequente formação do Mar Mediterrâneo, devido à colisão entre as placas de África e da Eurásia, desde o Cretácico Superior.

A discordância do Portinho da Arrábida como testemunho da primeira fase de inversão tectónica da Margem Ocidental Ibérica (MOI), a falha de El Carmen, o afloramento da falha sin-sedimentar da Figueirinha, os Conglomerados do Alto da Califórnia e a Brecha da Arrábida (tipo litológico único no mundo) são outros exemplos de fenómenos geológicos de extrema relevância do ponto de vista científico e patrimonial.

A Arrábida apresenta centenas de cavidades cársicas, das quais se destaca a Gruta do Frade pela sua raridade, singularidade, diversidade e beleza dos espeleotemas que apresenta.

Do ponto de vista paleontológico, na Arrábida existem diversas jazidas fósseis e pistas de dinossáurio mundialmente relevantes do ponto de vista científico (designadamente no que diz respeito à evidenciação do comportamento gregário de saurópedes), com a particularidade única de estarem associadas ao património cultural material e imaterial do cabo Espichel.

Hidrologia
Como é característica das regiões cuja geologia é predominantemente constituída por calcário, a hidrografia apresenta aspetos específicos desse tipo de constituição, tais como a não perenidade e exiguidade dos cursos de água.

As linhas de água da Arrábida podem agrupar-se em dois tipos principais:

  • as torrentes propriamente ditas, em que apenas existe água no inverno; e
  • as ribeiras que escoam água durante a maior parte do ano.

As primeiras têm leito irregular e o seu caudal aumenta bastante no inverno, provocando grande erosão e acarretando enorme perda de materiais. As segundas têm um curso mais longo e mais estável.

Hidrograficamente a área do Parque é dividida em duas grandes áreas de drenagem, contendo cada qual, várias bacias hidrográficas com determinada orientação, drenando ou para a zona NW e N do parque ou para a zona S e E do mesmo.

Os principais cursos de água no Parque Natural da Arrábida localizam-se na sua maioria na parte este, entre Setúbal, Palmela e o vale dos Picheleiros.

A ribeira da Ajuda é o curso de água de maior caudal da cadeia arrábica, resulta da junção das Ribeiras de Alcube e do Picheleiro e ainda tem a contribuição das Ribeiras do Almelão e Pomarinho. A sua bacia hidrográfica abrange os Vales de Picheleiro, Alcube e Ajuda, as encostas a W e S da serra de S. Luís e as encostas a W do Nico e Viso.

Temos ainda a ribeira de Melra, do Vale de Cavalo e de Mareta. Outros cursos de água, como sejam a rbeira da Corva, afluente da ribeira de Livramento, ou a ribeira do Calhariz, aflente do rio Coina, alcançam os seus maiores caudais exteriormente ao Parque.

De todas as linhas de água referidas, interior da área do Parque, apenas a ribeira da Ajuda conserva corrente durante alguns meses, ou mesmo durante quase todo o ano. Em grande parte da Península de Setúbal, em que o Parque se insere, a infiltração profunda excede largamente o escoamento superficial.

Assim, se em termos de recursos hídricos superficiais é fácil inferir a pobreza da Península de Setúbal e área do Parque, já não se passa o mesmo em relação aos recursos hídricos subterrâneos relativamente aos quais a sua abundância se encontra comprovada.

 Clima

A Arrábida apresenta acentuadas características mediterrânicas, traduzindo-se este em duas estações extremas:

  • o verão quente e seco chegando a atingir temperaturas com valores aproximados às temperaturas das regiões tropicais, com períodos de seca prolongados que se podem estender por vários meses; e
  • o inverno frio geralmente húmido. Estas são intercaladas com duas estações intermédias, o outono e a primavera.

A proximidade do mar, no caso o oceano Atlântico, é um fator climático de relevante importância dando à região maiores humidades e consequentemente uma maior amenidade nas temperaturas ao longo do ano. Pode-se deste modo afirmar que existe uma influência atlântica sobre a tipicidade mediterrânica que se vai exercer essencialmente ao nível da diminuição da amplitude térmica e do aumento da humidade atmosférica, situação que ocorre desde os meados do outono até meados da primavera. A orientação e consequente exposição do relevo vai também de uma forma bem vincada exercer em conjunto com o que foi anteriormente dito, uma ação amenizadora no tipo de clima da região.

Finalmente, no que respeita aos fatores climáticos e com base em dados obtidos no posto meteorológico de Setúbal, é importante mencionar a insolação que, nesta região, tem duas fases, uma de luminosidade crescente (janeiro a agosto) e outra de luminosidade decrescente (setembro a dezembro) o que, como facilmente se pode concluir, exerce grande influência a nível da vegetação.

Habitats

A Arrábida concentra uma elevada riqueza de biodiversidade vegetal, assim, em 42 tipos e subtipos de habitats presentes, 10 são prioritários para a conservação.

Habitats:

Nota: com * estão assinalados os habitats prioritários.

2 Dunas marítimas e interiores

21 Dunas marítimas das costas atlânticas, do Mar do Norte e do Báltico

2130 [PDF 361 KB] Dunas fixas com vegetação herbácea (“dunas cinzentas”) *

2150 [PDF 247 KB] Dunas fixas descalcificadas atlânticas (Calluno-Ulicetea)

22 Dunas marítimas das costas mediterrânicas

2270 [PDF 220 KB] Dunas com florestas de Pinus pinea ou Pinus pinaster ssp. atlantica – ver Anexo [PDF 300 KB]

 

5 Matos esclerófilos

52 Matagais arborescentes mediterrânicos

5230 [PDF 506 KB] Matagais arborescentes de Laurus nobilis 

 

6 Formações herbáceas naturais e seminaturais

61 Prados naturais

6110 [PDF 426 KB] Prados rupícolas calcários ou basófilos da Alysso-Sedion albi 

62 Formações herbáceas secas seminaturais e fácies arbustivas

6210 [PDF 310 KB] Prados secos seminaturais e fácies arbustivas em substrato calcário (Festuco-Brometalia) (*importantes habitats de orquídeas)

6220 [PDF 392 KB] Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypodietea 

 

8 Habitats rochosos e grutas

82 Vertentes rochosas com vegetação casmofítica

8240 [PDF 300 KB] Lajes calcárias

 

9 Florestas

91 Florestas da Europa temperada

91E0 [PDF 368 KB] Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)

Evidencia-se também o habitat 5320 [PDF 340 KB]  que corresponde a formações baixas de euforbiáceas junto a falésias, que na Arrábida é representado pelo paleoendemismo Euphorbia pedroi.

 

A complexidade e diversidade de habitats marinhos presentes no mar da Arrábida contribuem para que este seja um hotspot de biodiversidade – local excecional do ponto de vista dos índices de biodiversidade à escala europeia com mais de 1400 espécies registadas.

 

Destaca-se ainda a presença de blocos rochosos como variante particular do habitat 1170 [PDF 430 KB]  Recifes – onde se localiza o maior número de espécies raras em Portugal.

 

Flora

O elevado interesse botânico da serra da Arrábida reside na composição da sua vegetação, onde se verifica a convergência de três elementos florísticos:

  • o euro-atlântico, dominante nas exposições do quadrante norte, mais fresco, húmido e sombrio;
  • o mediterrânico, dominante nas exposições do quadrante sul, mais quente, seco e luminoso; e
  • o macaronésio prevalecendo nas situações mais acentuadamente marítimas, as arribas.

A sua localização privilegiada no extremo ocidental do continente europeu, aliada às suas características climáticas e geológicas e aos fatores de natureza antrópica que exerceram a sua influência nos últimos milénios, permitiram que neste local se desenvolvessem processos naturais ímpares ao longo da história da vegetação.

Segundo Gomes Pedro (1942), a vegetação da serra da Arrábida é constituída por cinco tipos fisionómicos distintos:

  • formação rupestre;
  • charneca;
  • matagal;
  • machial; e
  • mata.

 

A vegetação apesar de apresentar muitas semelhanças com a de outras serras calcárias localizadas mais a norte, apresenta aspetos exclusivos como o carrascal arbóreo e o tojal.

As formas arbóreas de carrasco Quercus coccifera, que ocorrem em habitats particularmente favoráveis do ponto de vista do solo e do regime hídrico, apresentam características morfológicas relativamente estáveis e diferentes dos carrascos dos matos, o que levou alguns autores a considerar como uma subespécie, Q. coccifera L. subsp. rivasmartinezii (Capelo e Costa, 2001), mais tarde proposta como espécie (Capelo e Costa, 2005).

No que respeita ao tojal, a presença de tojo Ulex densus, endemismo dos calcários do centro oeste português, é muito frequente no planalto do Espichel, tornando a paisagem num amarelo intenso durante o mês de abril.

As regiões calcárias do país são dos locais mais ricos em orquídeas e o Parque Natural da Arrábida não é exceção, com cerca de 30 taxa da família Orchidaceae referidos para a área. Em particular, grande parte destas espécies está associada aos relvados seminaturais perenes (com dominância de Brachypodium phoenicoides), habitats herbáceos, sem ou com poucos arbustos, que ocupam extensas áreas no interior da Arrábida.

 

Em termos florísticos refira-se que no Maciço Calcário da Arrábida se encontram inventariados cerca de 1450 taxa (Pedro, 1997), dos quais 90 foram classificados de elevado valor enquanto património genético (Cruz, 1994).

Do elenco florístico inventariado há a realçar os seguintes taxa:

  • Withania frutescens, Lavatera maritima e Fagonia cretica – espécies do elemento macaronésico que, em Portugal, apenas aparecem na Arrábida;
  • Orobanche rosmarina  – endemismo do CW de Portugal, atualmente apenas conhecida na Chã dos Navegantes, local que se situa nas imediações do cabo Espichel;
  • Ulex densus – endemismo do CW de Portugal, incluído no Anexo V da Diretiva 92/43/CEE;
  • Chaenorrhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum [PDF 150 KB] – endemismo do SW de Portugal, incluído nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE;
  • Pseudarrhenatherum pallens [PDF 148 KB] – endemismo de Portugal, incluído nos Anexos II e IV
    da Diretiva 92/43/CEE;
  • Silene longicilia [PDF 160 KB] – espécie dos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE;
  • Narcissus calcicola [PDF 148 KB] – endemismo do CW de Portugal e do Barrocal Algarvio, incluído nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE;
  • Arabis sadina [PDF 123 KB] – endemismo do CW de Portugal, incluído nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE);
  • Iberis procumbens subsp. microcarpa [PDF 149 KB] – endemismo do CW de Portugal, incluído nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE;
  • Euphorbia pedroi – endemismo arrabidense, sendo apenas conhecidos 3 núcleos desta espécie, dois dos quais localizados entre o cabo Espichel e Sesimbra; e
  • Convolvulus fernandesii [PDF 152 KB] – endemismo arrabidense e espécie prioritária incluída nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE. Apenas são conhecidos pequenos núcleos desta espécie nas imediações da Chã dos Navegantes, junto ao cabo Espichel.

Fauna

Info

A Arrábida é um local de grande diversidade de espécies da fauna, com cerca de 650 invertebrados identificados, nomeadamente 106 de aranhas (Classe Arachnida) 445 de escaravelho (Classe Insecta, Ordem Coleoptera), 61 borboletas (Classe Insecta, Ordem Lepidoptera), 37 de formigas (Classe insecta, Ordem Himenoptera) e 4 de tingideos (Classe Insecta, Ordem Hemiptera). De ressaltar ainda o facto de Geocharis boeiroi, o gorgulho-esmeralda-rosado Cneorhinus serranoi e o Candidula setubalensis ocorrerem exclusivamente na serra da Arrábida, este último, um caracol que se encontra na Lista Vermelha da IUCN.
De acordo com Porto et al (2011) foram referenciados para a serra da Arrábida o seguinte número de espécies de vertebrados: 12 de anfíbios; 17 de répteis; 136 de aves; e 34 de mamíferos.

Na avifauna salientam-se as rapinas diurnas, tais como a águia de Bonelli Hieraaetus fasciatus, a águia-de-asa-redonda ou búteo Buteo buteo, o peneireiro-comum Falco tinnunculus, todas rapinas ameaçadas que nidificam nas falésias. Estes habitats são também local para a ocorrência de um vasto conjunto de outras aves como a águia-pesqueira Pandion haliaetus, o bufo-real  Bubo bubo, o corvo-marinho-de- crista Phalacrocorax aristotelis e o pombo-das-rochas Columba livia.

Realça-se, ainda, que o cabo Espichel constitui um dos troços de uma das rotas preferenciais de migração de aves. Este local, com poucas árvores e exposto ao vento marítimo, é pouco rico em termos de aves nidificantes, mas adquire particular importância no final do verão, durante a migração.

O Parque Natural da Arrábida constitui um local privilegiado para a observação de aves e para o estudo das interações entre as aves migradoras e as plantas mediterrânicas. Estas interações são do tipo mutualista e parecem estar associadas a um processo de coevolução.

Nas falésias localizam-se ainda grutas que albergam uma importante fauna cavernícola, incluindo algumas espécies de morcegos em perigo de extinção que aqui se reproduzem e hibernam. Nomeadamente, o morcego-de-peluche Miniopterus scheibersii, o morcego-de-ferradura-mediterrânico Rhinopholus euryale, o morcego-de-ferradura-grande Rhinopholus ferrumequinum, o morcego-de-ferradura-pequeno Rhinopholus hipposideros, o morcego-de-ferradura-mourisco Rhinolophus mehelyi, o morcego-de-franja Myotis nattereri e o morcego-rato-grande Myotis myotis (Rainho, 1995).

Destaca-se ainda a presença dos seguintes mamíferos geneto ou gineta Genetta genetta, sacarrabos Herpestes ichneumon, texugo Meles meles, toirão Mustela putoris, doninha Mustela nivalis, raposa Vulpes vulpes, lebre Lepus capensis e coelho Oryctolagus cuniculus.

Parque Marinho

Parque Marinho Prof. Luiz Saldanha.

Localizado ao longo da costa sul da Península de Setúbal, entre a serra da Arrábida e o cabo Espichel, foi criado, em 1998, um Parque Marinho com uma área de 52 km2. Recebeu a designação de “Parque Marinho Professor Luiz Saldanha” em homenagem a este biólogo que dedicou parte da sua carreira científica ao estudo daquelas costas. Fazendo parte integrante do Parque Natural da Arrábida, trata-se de uma área protegida do sistema nacional, gerido pelo ICNF, I.P.. Para além deste reconhecimento nacional, toda a sua área está também integrada na rede europeia de conservação – Rede Natura 2000.

O Parque Marinho inclui o segmento de costa rochosa entre as praias da Figueirinha e da Foz. É uma porção da costa portuguesa com características particulares, nomeadamente com fundo rochoso, de natureza muito específica já que resulta, essencialmente, da fragmentação da própria arriba, destacando-se grandemente de toda a envolvente, já que a costa portuguesa, para norte do cabo de Sines, é maioritariamente arenosa. Contribuem particularmente para as suas características mais notáveis, a presença de:

  1. em terra, um sistema de serras e terras altas que conferem à faixa marinha uma proteção muito significativa dos ventos do quadrante norte, dominantes em Portugal continental;
  2. a este o estuário do rio Sado, e
  3. no oceano, uma configuração dos fundos com grandes canhões abissais, o canhão de Setúbal a sul e o de Lisboa a oeste.

A proteção dos ventos dominantes é responsável pela reduzida ondulação predominante nesta costa, o que favorece o desenvolvimento de muitas espécies e a sua reprodução, bem como de juvenis. Este caráter único de modo calmo pode ainda ser responsável pela existência, na Arrábida, de espécies raras em Portugal, devido à agitação característica da restante costa.

É uma área com elevadíssima diversidade vegetal e animal estando registadas mais de 1400 espécies, muitas com valor económico importante. Trata-se de uma zona com elevada produção primária e que é utilizada como local de refúgio e crescimento de juvenis de muitas espécies, nomeadamente de peixes, ou seja, para além da riqueza de flora e fauna residente, a área é ainda importante na renovação de recursos que a utilizam nas fases críticas dos seus ciclos de vida, tendo um papel de nursery, muitas vezes só atribuído aos estuários.

Os estudos realizados revelam que o Parque Marinho da Arrábida apresenta, do ponto de vista da conservação, aspetos extremamente interessantes e importantes a preservar. Alguns dos aspetos mais relevantes e que justificam a sua proteção são:

  • a biodiversidade de todos os grupos ser notável, quando comparada com outras áreas protegidas marinhas que representam o mesmo tipo de habitats. Este facto está relacionado com o grau de proteção da costa e o nível de complexidade estrutural do habitat e, ainda, com o facto de ser uma zona de transição faunística onde muitas espécies apresentam o seu limite de distribuição;
  • o recrutamento para as espécies estudadas, entre as quais muitas com interesse comercial, realiza-se de um modo intenso, observando-se um grande número de juvenis de muitas espécies em baías e na zona entre marés durante a preia-mar;
  • as pradarias de ervas marinhas, destruídas na última década, têm sido alvo de programas de recuperação, destinados à reposição dos habitats anteriormente existentes e que tão grande importância apresentam, não só para muitas espécies que deles dependem diretamente como, por exemplo, os cavalos-marinhos, como ainda para os juvenis de muitas espécies com interesse comercial que aí encontram refúgio e alimento durante o período de crescimento, tais como o choco, a raia, o linguado e a santola, entre muitos outros;
  • a localização geográfica desta área marinha protegida e as suas características geomorfológicas e estéticas potenciam a utilização desta região como um local privilegiado para a educação ambiental e as diferentes formas de turismo da natureza quando devidamente controladas e regulamentadas; e
  • a vocação como zona de eleição para desencadear a consciência da necessidade de elaboração de um plano nacional de proteção do meio marinho em Portugal que inclua zonas costeiras e zonas oceânicas.

Os problemas que afetam o Parque Marinho relacionam-se, essencialmente, com a exploração excessiva dos recursos biológicos e com a utilização intensa em atividades lúdicas. O passo decisivo na proteção desta costa, tem sido dado com a implementação do Plano de Ordenamento do Parque Natural, que faz o zonamento e a regulamentação da área, visando a compatibilização das atividades sustentáveis com os objetivos principais de conservação do Parque.

História | Cultura

Paisagem e património histórico-cultural do Parque Natural da Arrábida.
Paisagem

A cordilheira da Arrábida é um dos espaços naturais de influência mediterrânica mais belos e significativos. Ao longo das suas montanhas ou através das sombras dos seus vales e picos, o horizonte apresenta-se como uma das mais belas paisagens, onde a serra se constitui como barreira orográfica entre o litoral e o interior, possuindo também vegetação exuberante, de cariz mediterrânico.

As arribas litorais são de uma beleza ímpar, por serem uma transição abrupta entre o meio marinho e terrestre apresentando escarpas com importantes particularidades geomórficas, sendo o Risco a escarpa litoral calcária mais elevada da Europa.

As encostas da serra do Louro dão um enquadramento contínuo do Vale de Barris através de uma crista. A serra de S. Luís / Gaiteiros tem uma posição central entre o vale de Barris e de Alcube.

A Chã da Freira proporciona uma vista sobre uma extensa área, cujo coberto vegetal adquire uma variação de tons singular, consoante as estações do ano, em contraste com o verde constante da vegetação que a rodeia. A Comenda possui uma cobertura vegetal de porte arbóreo que se destaca da envolvente.

Atividades humanas

Uma das atividades tradicionais características da zona do Parque é o fabrico do Queijo de Azeitão, que tem um sabor característico e muito apreciado. É produzido nos concelhos de Setúbal, Sesimbra e Palmela e constitui uma denominação de origem protegida de acordo com as normas da União Europeia.

As características particulares do Queijo de Azeitão, estão associadas a fatores ambientais próprios do maciço da Arrábida, como o clima e a natureza calcária do solo.

O Queijo de Azeitão é produzido a partir de leite de ovelha cru, ao qual apenas se junta cardo e sal. As suas características organoléticas muito particulares e apreciadas, estão intimamente ligadas à flora das pastagens da Serra da Arrábida e à utilização de cardo Cynara cardunculus espontânea no sul do país, para a coagulação do leite.

A cultura da vinha praticada desde tempos antigos, devido às condições apropriadas de solo e clima, permite a produção de uma variedade de vinhos muito conceituados.

A casta Moscatel de Setúbal assume grande importância em toda a região, constituindo uma variedade essencial na região de Palmela/Setúbal, associada à produção de vinhos brancos e do vinho generoso comercializado com o mesmo nome.

A Península de Setúbal é uma região pioneira na elaboração de produtos vinícolas de reconhecida qualidade, como é o caso do Moscatel de Setúbal, vinho generoso cuja área produtiva se encontra delimitada desde 1907, não obstante a sua produção ser bastante anterior.

O mel produzido na região, de sabor aveludado e muito característico, tem justa fama devido à riqueza floristica da serra. A abundância de plantas aromáticas como o alecrim Rosmarinus officinalis, a murta Myrtus communis, a esteva Cistus ladanifer, as lavandulas Lavandula spp., o tomilho Thymus vulgaris e o tojo Ulex densus, entre outras, aliada ao caráter temperado dos invernos, oferece boas condições para a apicultura.

O Parque engloba uma importante comunidade piscatória que se dedica à pesca marítima artesanal. Perto de metade desta frota opera com pequenas embarcações de madeira (aiolas) com menos de 5 m de comprimento e dedica-se maioritariamente à pesca com linhas e anzóis e captura de peixe e cefalópodes como o polvo, choco e a lula. A restante frota opera com botes de até 7 m de comprimento que utilizam redes de emalhar na captura de peixe e armadilhas essencialmente para o polvo que constitui o recurso mais capturado no Parque.

Património histórico-cultural

O território do Parque Natural da Arrábida foi objeto de uma antiquíssima ocupação humana desde os tempos pré-históricos até aos nossos dias. Os dados arqueológicos disponíveis permitem assinalar as primeiras comunidades humanas desde o Paleolítico Inferior, havendo vestígios que atestam a contínua e organizada utilização deste espaço.

Paleolítico
A cordilheira da Arrábida foi ocupada por pequenos grupos de Homo erectus que se estabeleceram no litoral, principalmente entre o cabo Espichel e Sesimbra, onde instalaram pequenos habitats de curta duração. Nestas praias, ricas em calhaus rolados, terão sido produzidos os primeiros artefactos humanos utilizados na região. As grutas escavadas pelo mar foram igualmente ocupadas por grupos paleolíticos, havendo a assinalar a lapa de Santa Margarida e a gruta da Figueira Brava, localizadas a oeste do Portinho da Arrábida, ambas com vestígios do Paleolítico Inferior (400.000 a 200.000 a.C.).

Neolítico
A necrópole de hipogeus da Quinta do Anjo representa uma sepultura coletiva característica do Neolítico Final e Calcolítico da Estremadura. A necrópole de hipogeus da Quinta do Anjo é constituída por quatro sepulturas de idêntica tipologia escavadas em afloramento calcário localizado no sopé da Pré-Arrábida. Monumento nacional desde 1934, este arqueossítio revela uma configuração que se integra na família das necrópoles escavadas na rocha que se estende do Atlântico ao Mediterrâneo Oriental.

Idade do Cobre

O desenvolvimento da agropastorícia e do comércio foram acompanhados pelo aparecimento das primeiras formas de tecelagem e de metalurgia do cobre, verificando-se paralelamente as primeiras divisões sociais do trabalho e a generalização da guerra. No Parque Natural da Arrábida existe um número significativo de jazidas do Calcolítico, todas em locais elevados, estendendo-se desde Sesimbra, pelos montes de Azeitão, serras de S. Francisco e do Louro, até à serra de S. Luís.
Idade do Bronze

Situada nas terras do Risco, Concelho de Sesimbra, a Roça do Casal do Meio é uma sepultura que testemunha bem o grau de diferenciação social atingido pelas comunidades do Bronze Final. Trata-se de um monumento funerário de planta circular constituído por muro perimetral exterior, e por câmara central, de cúpula, na qual foram sepultados dois indivíduos adultos. A jazida revelou um estrato muito rico em cerâmica de ornatos brunidos, característica do Bronze final, e a qual foi a primeira, à época (1934), a ser divulgada em Portugal de forma sistemática e aprofundada.
Idade do Ferro

Nesta época, a desembocadura do Sado foi um ponto de atração, dadas as boas condições naturais para a implantação de um entreposto comercial, surgindo vestígios de feitorias fenícias não só em Setúbal, mas também em Abul, local mais a montante, na margem norte do Sado.

Nas serras do Louro e de S. Luís surgem dois povoados fortificados, nos lugares de Chibanes e Pedrão respetivamente. No Pedrão são ainda visíveis a muralha e os muros das casas do séc. I a.C.
Ocupação Romana

A colonização romana estabilizada por volta do ano 25 a.C., incidiu essencialmente na exploração e transformação dos recursos marinhos. Nas praias da foz do Sado e também no Creiro, perto do Portinho da Arrábida, foram instalados centros fabris de salga de peixe e preparação de garum (composto de restos de peixe, ovas, sangue, mariscos e moluscos macerados em sal, a que se adicionavam molhos), que depois de embalados em ânforas eram exportados para os centros de consumo do império.

O controlo militar, político, administrativo e económico era servido por uma via que assegurava a ligação a Lisboa, Setúbal (Cetóbriga), Alcácer do Sal (Salácia), Évora (Èbora), e Mérida (Emerita), capital da província da Lusitânia. Vestígios desta importante via existem ainda no Viso, em Setúbal, onde se encontra um troço com cerca de 1400 m da antiga calçada, ladeada por grandes blocos com afastamentos de 7 m.
Ocupação Árabe

A presença árabe instalou-se no séc. VIII e ficou fundamentalmente marcada na toponímia. Esta presença ficou também documentada pelos vestígios das suas praças fortificadas de Sesimbra e Palmela, no local onde se erguem os castelos medievais. É atribuída aos muçulmanos a plantação dos espessos olivais existentes na região de Azeitão, cujas oliveiras são consideradas as mais antigas de Portugal.

 

Arquitetura militar
Praças-fortes muçulmanas e castelos medievais

Localizados na periferia oriental e ocidental do Parque, os castelos de Palmela e Sesimbra são as fortificações mais antigas da região da Arrábida.

Vestígios de uma outra fortificação medieval, designada por castelo de Coina-a-Velha, podem ser encontrados no sítio do Casal do Bispo, em Azeitão.
Fortalezas Quinhentistas

Nos finais do séc. XIV foi construída a primeira cintura de muralhas de Setúbal, para proteção da comunidade contra os ataques de piratas norte-africanos, da qual subsistem ainda alguns troços. Data desta época a construção da torre de vigilância do Outão e das primeiras estruturas fortificadas construídas. Esta fortaleza foi posteriormente reestruturada e ampliada por volta de 1572. No séc. XIX foi transformada em prisão, mais tarde em residência de férias do rei D. Carlos, e no início do século XX, foi ali instalado um hospital ortopédico que se mantém até hoje.

No final do séc. XVI, durante a ocupação Espanhola, Filipe II mandou construir a fortaleza de S. Filipe, em Setúbal, com o objetivo de defender a vila e o seu porto e manter uma guarnição que assegurasse o controlo sobre aquela localidade, hostil ao domínio castelhano.

 

Fortalezas Seiscentistas

Na segunda metade do séc. XVII, após a restauração da nacionalidade, é construída uma nova muralha em torno de Setúbal, e também, uma série de pequenos fortes ao longo da costa da Arrábida. Datam deste período o forte de Albarquel em Setúbal, os fortes de Sant’Iago e da Ponta do Cavalo em Sesimbra, o forte do Cozinhador no Risco e a fortaleza de Sta. Maria da Arrábida no Portinho, restaurada no final da década de 1980, sendo atualmente um Museu Oceanográfico.
Arquitetura religiosa

 

Convento da Arrábida

Talvez o mais significativo de todos os conjuntos religiosos da região da Arrábida, pela sua exemplar integração na meia encosta sul da serra sobre a zona de Alportuche, seja o Convento da Arrábida. Este conjunto divide-se em duas partes: o Convento Velho e o Convento Novo.

O Convento Velho foi fundado nas primeiras décadas do séc. XVI por frades Franciscanos, a partir de uma antiga ermida existente no local desde o séc. XIII, a Ermida da Memória, construída por Hildebrando na sequência do milagre narrado na lenda de Santa Maria da Arrábida. Para além desta ermida, o Convento Velho incluía um conjunto de seis celas e um refeitório, estruturas bastante precárias e seminaturais onde se abrigavam estes primeiros frades franciscanos.

O Convento Novo começou a ser construído em meados do séc. XVI e incluía inicialmente uma igreja e o mosteiro com parte de cozinha e oficinas. Em 1863 a Casa de Palmela adquiriu o Convento e em 1990 o convento e a área envolvente foram adquiridos pela Fundação Oriente.

 

Santuário do Cabo Espichel

Erguendo-se em local grandioso no esporão do cabo Espichel, o atual conjunto do santuário da Senhora do Cabo integra a pequena ermida da Memória, de construção medieval, e a igreja da Senhora do Cabo Espichel, as hospedarias, a Casa da Ópera, o aqueduto e a Casa da Água (objeto de referência em capítulo posterior), edificados ao longo do séc. XVIII. Organizando-se em torno da extensa esplanada central (o arraial), constitui um raro exemplo de santuário monumental de peregrinação religiosa planificado de raiz e um conjunto arquitetónico civil e religioso único em Portugal, em que o decorativismo barroco do templo se alia ao caráter popular das hospedarias. No local podem também ser observados os escassos vestígios do forte de Nossa Senhora do Cabo, implantado a ocidente da ermida da Memória.

 

Arquitetura rural

A arquitetura rural é uma presença constante nos vários aglomerados da região, sendo o resultado dos modos de vida ligados às atividades agrícolas tradicionais, destacando-se a quinta do Anjo e Azeitão. De referir, também, alguns edifícios considerados de elevado valor histórico e patrimonial que tiveram a sua origem na fixação da nobreza portuguesa nesta região, em períodos de férias.

Deste conjunto de edifícios destacam-se o palácio da Bacalhoa em Vila Fresca de Azeitão, o palácio da Quinta das Torres e o palácio dos Duques de Aveiro em Vila Nogueira de Azeitão e o palácio do Calhariz em Maçã/Sesimbra, assim como os núcleos urbanos de elevado valor histórico de Azeitão.
Moinhos de vento

Os moinhos de vento são elementos importantes do património construído tradicional que podemos encontrar com frequência nas paisagens da região da Arrábida, localizados nos cumes das pequenas serras e montes, próximos dos principais aglomerados populacionais, nomeadamente Setúbal, Palmela, Azeitão e Sesimbra.
Fontes e obras de água

A região da Arrábida foi rica em obras de água compostas por extensas galerias aquedutos e depósitos de grande capacidade, que se podem ainda observar em diversas locais.

O mais significativo é o aqueduto da Arca d’Água, cujas estruturas iniciais foram construídas no séc. XV e que fornecia água a Setúbal. O aqueduto é ainda hoje visível, desde o sítio de Alferrara, na Quinta da Arca d’Água, terminando em Setúbal, no Campo dos Arcos.

Durante séculos, as aldeias de Azeitão abasteceram-se em fontes, a mais antiga que existe é a Fonte do Concelho, em Vila Nogueira de Azeitão, na Praça 5 de Outubro datada do séc. XVII. Na segunda metade do séc. XVIII são construídas novas fontes, nomeadamente a Fonte dos Pasmados, a Fonte da Aldeia Rica e a Fonte de Oleiros.

Outras obras, que ainda subsistem nos nossos dias em várias aldeias de Azeitão, são os lavadouros públicos.

 

Info

Visitar

 

Informação geral

Informações e conselhos úteis para visitar o Parque Natural da Arrábida (PNArr). Quando visitar. Zonas interditas. Mapa.

 

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em “Relacionados”, à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Para mais informações consulte o Parque Natural da Arrábida (ver contactos).

No Parque Natural da Arrábida existem vários percursos pedestres. Estamos a proceder a trabalhos de mudanças de trajetos e melhoria dos trilhos, pelo que, de momento, não é possível apresentar aqui os vários percursos que poderão ser feitos a pé.

Logo que os percursos estejam abertos serão disponibilizados, de modo a que possa passear pelo Parque apreciando os aspetos naturais e culturais que esta Área Protegida possui. Até lá poderá utilizar os serviços de empresas licenciadas na prestação de serviços de animação ambiental existentes na região. Consulte também o itinerário automóvel.

Informa-se que o ICNF não se responsabiliza por quaisquer problemas que possam surgir no decorrer dos percursos sugeridos.

 

Quando visitar?

O Parque Natural da Arrábida pode ser visitado em qualquer altura do ano, dada a amenidade do clima; contudo, do ponto de vista paisagístico, a primavera e o outono são as estações que proporcionam uma paisagem de coloridos mais diversificados.

Tome algumas precauções especiais no inverno, tais como ter em atenção as previsões meteorológicas, evitando a realização de atividades em dias de muita chuva, trovoadas e/ou nevoeiro.

No verão, as atividades deverão ser, preferencialmente, realizadas fora das horas de maior calor e evitando os períodos mais críticos de alerta contra incêndios.

Tenha em atenção:

  • evite visitar o Parque Natural sózinho(a). Contudo, se for esta a opção, informe os seus familiares e/ou amigos(as) sobre o percurso que pretende realizar e qual a hora prevista de chegada;
  • opte por vestuário e calçado simples e confortável. Não se esqueça que os imprevistos podem acontecer: previna-se com agasalhos, alimentos, água, protetor solar e/ou impermeável. Poderá munir-se, também, de telemóvel e lanterna;
  • recorra a uma empresa devidamente certificada se pretender realizar atividades de animação turística e ambiental;
  • transporte consigo o seu lixo até poder colocá-lo num local destinado ao efeito;
  • siga pelos trilhos e caminhos existentes, pois a circulação de veículos e pessoas fora destes locais não é permitida por causar dano à biodiversidade. Lembre-se que o pisoteio compacta os solos e faz apodrecer as raízes das plantas;
  • encontra-se num espaço de uso público, mas, geralmente, de propriedade privada, que deve ser respeitado. Trata-se de um espaço natural onde não pode capturar ou perturbar as espécies, nem deteriorar os biótopos naturais presentes; e
  • as atividades geradoras de ruídos deverão ser minimizadas, limitando ao máximo qualquer perturbação no meio envolvente. Desse modo, poderá observar melhor a fauna.

 

Zonas interditas

São interditas as passagens pela Mata do Vidal, Mata Coberta, Mata do Solitário e Mata do Espichel, por se tratarem de áreas com o estatuto de Área de Proteção Total.

Na Área de Proteção Total a presença humana só é permitida mediante autorização prévia e por razões de investigação e divulgação científica, vigilância e fiscalização e monitorização ambiental, bem como para a realização de ações de salvaguarda da área e dos interesses de conservação que levaram à sua classificação.

 

Mapa

Clique na imagem para ampliar [JPG 297 KB]

pna3 

Itinerário automóvel

 

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas.

 

Ponto de partida / de chegada: Setúbal / Vila Nogueira de Azeitão.
Extensão: 25 km.
Duração: 1h:30min.

 

Mapa do itinerário [PDF 425 KB]

 

Pontos de interesse

Miradouro das Antenas – visualização geral das praias da Arrábida, bem como da Mata Coberta e da Mata do Solitário, ambas Reservas Integrais (acesso interdito).

 

Miradouro da Santa ou Arremula – panorâmica sobre grande parte do território abrangido por esta Área Protegida, incluindo as Serras de S. Luís, de S. Francisco e do Louro, esta última às portas de Palmela, assim como dos vales do Alcube e dos Picheleiros com as suas quintas, vinhas e pastagens. Do local, domina-se vasta extensão de terras entre o Tejo e o Sado.

 

Miradouro dos Conventos – vista sobre a pequena enseada do Portinho da Arrábida (ver foto acima), uma praia de areia branca e águas cristalinas.

 

Museu Oceanográfico – instalado no forte de Santa Maria. Possibilidade de visitar a Lapa de Santa Margarida a 400 m do Portinho.

 

Vila Nogueira de Azeitão – sítio aprazível, antigo local de férias da classe nobre. Rico espólio patrimonial e diversas quintas senhoriais. Centro produtor de vinhos de qualidade. Queijo e doces típicos.
Se pretende realizar atividades de lazer nesta área protegida saiba quais são as permitidas e os locais onde o pode fazer. Consulte também a lista de empresas autorizadas para o efeito no Registo Nacional de Turismo.

INFO
 

Visit Portugal – Turismo de Portugal

Turismo Costa Azul – Turismo Lisboa e Vale do Tejo

Câmara Municipal de Palmela

Câmara Municipal de Sesimbra

Câmara Municipal de Setúbal

ADREPES – Associação de Desenvolvimento Rural da Península de Setúbal

Comboios de Portugal    

Rede Expressos

A informação contida nestes sítios é da responsabilidade das instituições mencionadas. O ICNF não se responsabiliza pela garantia do acesso.

 

Conselhos úteis

Conselhos úteis e cuidados a ter na visita a uma Área Protegida.


Na planificação da sua visita, deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas.

Se pretende observar aves, consulte – Aves

As Áreas Protegidas são locais privilegiados para realização de atividades de animação e lazer. Sugerimos que procure os serviços prestados pelas entidades com atividades reconhecidas como Turismo de Natureza.

 

Antes de começar um percurso

  • Tenha sempre em atenção as previsões meteorológicas e evite realizar atividades em dias em que se preveja a ocorrência de chuva, trovoadas e nevoeiros, especialmente se pretender visitar áreas de montanha.
  • Acima dos 800 m existem, por vezes, rápidas alterações climatéricas; previna-se.
  • Evite fazer os trilhos sozinho(a), especialmente em zonas calcárias (onde há cavidades) ou em áreas de montanha. Cuide de si! Antes de iniciar qualquer percurso, mesmo simples, avise alguém conhecido ou alguma entidade acerca do local da sua partida e do seu regresso. Assim, em caso de emergência, saberão onde socorrê-
    -lo(a).
  • Leve sempre um saco para colocar os resíduos (lixo) que fizer.
  • Opte por vestuário e calçado simples e confortável. Evite usar amarelo, dado ser a cor que mais atrai os insetos. Vista-se e calce-se de acordo com as condições, quer climatéricas quer do trilho. Se necessário, use calçado de montanha.
  • Tenha presente que os imprevistos podem acontecer. Assim, previna-se com agasalhos, alimentos, água e protetor solar. Poderá munir-se também de telemóvel, lanterna e isqueiro (para uso apenas em caso de emergência). Tome em atenção que, em locais remotos, poderá não haver rede.
  • No verão, tenha especiais cuidados com o sol e abasteça-se de água antes de iniciar qualquer percurso. Mesmo no inverno, leve sempre água.
  • Não use perfumes. Evita, assim, o ataque de insetos e pode apreciar melhor os aromas da natureza.
  • Se tiver alergias à picada de mosquitos, previna-se com repelente, especialmente se visitar zonas húmidas (ex. pauis e estuários).
  • Obtenha um folheto do percurso ou mapa (caso exista) e faça-se acompanhar dele.
  • Leve sempre alguns alimentos, mesmo para pequenos percursos. Vai ver que lhe saberão bem, mas não alimente os animais selvagens.
  • Faça-se acompanhar de guias de campo, p. ex. de aves e de plantas.
  • Se tiver, leve binóculos e máquina fotográfica.

Durante o percurso

  • Nunca faça fogo! Não destrua o que quer apreciar!
  • Deixe a natureza intacta. As plantas e animais devem permanecer nos locais onde os encontrou, o mesmo sucedendo com as pedras. Assim, outras pessoas poderão observá-los e ter a mesma satisfação que sentiu ao vê-los!
  • Muitos dos percursos estão sinalizados segundo as normas definidas pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal. Siga as instruções da sinalização. Não saia do traçado definido (até por questões de segurança). O pisoteio destrói a vegetação, incluindo as culturas agrícolas, e pode, sem querer, destruir ninhos ou perturbar animais na fase da reprodução.

pna4

  • Compre produtos locais e respeite as tradições. Ajuda, assim, as populações que cuidam da natureza que você aprecia.
  • As Áreas Protegidas não são Jardins Zoológicos, pelo que os animais escondem-se das pessoas. Para poder tirar o máximo partido da sua experiência e observar os animais, caminhe em silêncio e não saia do trilho.
  • Fique atento(a) a sinais como penas, fezes, pegadas, pinhas roídas (pelos esquilos, p. ex.), marcas de pernoita ou solo revirado pelos javalis. Se vir uma ave a olhar para cima, isso poderá indicar a presença de uma ave de rapina em voo. Observe o céu, mas sem deixar de ver onde põe os pés.
  • Se tem especial interesse na observação de fauna, especialemnte de aves, realize os percursos às primeiras horas da manhã ou ao entardecer;
  • Fotografe sem perturbar os animais nem danificar as plantas. Não se aproxime de ninhos.
  • Tome precauções especiais quando caminha em zonas húmidas e rochosas, para evitar quedas, e não pratique atos que possam colocar em risco a sua segurança e a dos outros. Não saia dos percursos/trilhos e caminhos existentes.
  • Com nevoeiro, trovoadas, chuva e ventos frios, evite andar pela montanha. Se tiver de o fazer, tenha especiais cuidados, pois é fácil uma pessoa cansar-se e perder-se. Em algumas áreas, como no Parque Nacional da Peneda-Gerês, os/as pastores colocaram, estrategicamente, pequenos amontoados de pedras sobre os penedos e que ajudam à orientação em dias de nevoeiro. Porém, não arrisque, se for surpreendido(a) pelo mau tempo, regresse imediatamente!
  • A quase totalidade dos terrenos nas Áreas Protegidas é propriedade de particulares que aí vivem, e trabalham; por isso respeite a propriedade privada!
  • Cuidado com o gado. Não o perturbe e, se tiver de abrir cancelas, feche-as sempre depois de passar.
  • Traga consigo o lixo que fez durante o percurso e coloque-o num local adequado (um contentor ou um ecoponto). O lixo, principalmente o plástico, pode ser ingerido por animais, causando-lhes a morte. Não abandone os resíduos. Recicle, evitando assim o desperdício de matérias primas e a destruição de áreas naturais.
  • Se possível, deixe o percurso melhor do que o encontrou. A Natureza agradece.

Percursos de bicicleta

Em algumas Áreas Protegidas existem percursos que podem ser realizados em bicicleta todo o terreno, um meio de locomoção que permite usufruir dos espaços abertos e tomar contacto com toda a ambiência que os envolve. Neste caso, tenha sempre em atenção algumas normas de segurança:

  • Evite fazer os percursos sozinho(a);
  • Use sempre capacete;
  • Utilize sempre os caminhos e percursos/trilhos predefinidos;
  • Lembre-se que esses trilhos são também percorridos por pessoas a pé e habitantes da região; por isso dê-lhes prioridade. Não coloque em perigo a sua segurança nem a dos outros!
  • Evite “correrias”, pode colocar em perigo a sua integridade física. Além disso, quanto mais ruído provocar, mais denuncia a sua presença e menor será a probabilidade de surpreender, e ver, algumas das inúmeras espécies da fauna selvagem das Áreas Protegidas.

Torne a sua visita inesquecível, pelos melhores motivos!

Informa-se que o ICNF não se responsabiliza por quaisquer problemas que possam surgir no decorrer dos percursos e itinerários sugeridos.